quinta-feira, 5 de abril de 2012

Não imaginava

Não imaginava
que nessa apoética rotina
a vida ainda me reservava
no teu riso, a rima

Egidio M.


A palavra e o o papel

Reparei ainda com a caneta afoita
que a palavra e o papel
já eram a mesma coisa
palapapel? papelavra?
não, não, não...
Poesia, suspeitava?

Egidio M.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

***

Quando eu te encontrar por aí
com os teus passos perdidos
por lugares tão conhecidos
vais saber que esses versos são para ti!
Vais saber da saudade assaz
que trago no meu caminhar
descompassado à procurar
teu rastro que se perde no mais
Vou premeditar o acaso
e te ter pertinho
e até minha te faço
se receberes com carinho
o meu beijo que espera
em tua boca repousar
como a rosa da primavera
que o beija-flor vem polinizar
Tens a força da delicadeza
que, de tanto invejar,
espalhou, a natureza,
a tua formosura por todo lugar
Tua pele criou a brancura da lua
a areia fina são os teus cabelos
a água do mar é teu corpo quando sua
e os teus olhos, eu posso vê-los
no horizonte do mar noturno!


Egidio M.

sábado, 25 de junho de 2011

Interrogação


Onde se perdeu o meu riso?

Entornou-se num porvindouro impreciso

Ou ainda faz parte do passado, do riso teu?

Tudo a minha volta é ausência ou a ausência sou eu?


Egidio M.

sábado, 23 de abril de 2011

Uma Poesia

Dorme uma poesia
em mim
que não me deixa cair no sono
e que não desperta
embora se remexa como em pesadelo.
Afago-a com rabiscos
e acaba sossegando.
Devagar
levo-a para repousar no papel
como uma criança
que após adormecer na cama dos pais
é levada nos braços até seu leito...

Egidio M.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Lembranças da infância


Em devaneio
Às vezes passeio
Por lembranças pueris
E por um triz
Não volto a ser criança...
Recordo que a vida não cansa
Se for brincadeira, um invento!
Me perco na veleidade vã
De querer voltar no tempo
E me tornar Peter Pan!

Egidio M.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Um Amor

Sabe o que é, meu amigo?
É que no meu coração tem um Amor
Que quer ser sentido
Ao custo que for
Que deita duma vez na minha cama
Vestindo um pijama de saudade;
De antigos anseios, ele me inflama
Por pura maldade
Só pra me lembrar da falta
Que me faz o pedaço ausente,
Pra me ver vacilar sobre estrela mais alta
E me tornar cadente.
Mando-o embora e diz que vai ficar mais um pouco
Ou nem dá trela, se faz de mouco
Ai... Se esse Amor me amasse
Partiria logo do meu peito
E não se esqueceria de arrumar o meu leito
Para que um Novo Amor em mim repousasse!

Egidio M.