terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Morena saudosa

Ah! Essa saudade é tão ruim de supotar...
Todas as coisas tu invades de boas lembranças
E vens, ao desejo, me atar
Quero te sorver em grandes beijos!
Amor diz ser saudade se não estás
E saudade saciada diz ser Amor demais!
À noite tu invades meus sonhos e eu quero invadir o teu quarto,
Sentir teus seios macios que me tiram o sono na libido que ardo.
Não te ter é te querer muito e te ter é te querer muito mais!
A noite vem até mim insípida, quando deveria vir morena
E cálida, louca para ser beijada e para se tornar meu cais...

Egidio M.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

(Poema V)



Passarinho.


Apenas tu escutaste meu lamento,
Oh pássaro belo,
É tão cedo e há tanto desalento...
Vieste me acalantar com teu canto singelo
Ou vieste tornar pública a dor que tanto velo?
Ai, pelo amor de Deus, passarinho
Esconda-me em teu ninho,
Voa levando minha dor
E despeje-a pelo caminho...
A serenidade, eu realinho
Com a tua ajuda, poesia. Quis dizer...
Passarinho!


Egidio M.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Poema delicado para a morena amada

Tu és coisa mais linda e meiga
Que me surgiu. O teu riso, o teu olhar, tua pele
O teu nome, o teu gosto... Tudo em ti entoa Célebre.
Chove ternura na tua cálida presença,
Tua formosura me deixa incapaz de arrefecer.
Tenho zelo por ti como ninguém mais vai merecer
Carícia que te dou,
Não daria a nenhuma outra, nem mais intensa.

Por ti, eu rompo com o mundo e traço novos caminhos,
(E deixa, que o amor reconstrói o caminho se houver eiva)
Para ter teu riso enaltecido,
E tu teres a mim, de amor, ensandecido.
Contigo, eu hei de ter filhinhos!
Ah! Morena, é por ti que eu morro de amor
Pra me manter vivo!

Egidio M.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

"Luzias e Luizas"

Ah, Luzia
Até a luz em teu nome é passado...
Se tu pulasses o "i" para frente do "z"
Darias um fim a essa ironia,
Mas não colocarias fim no teu caso.
Antes doesse de fome,
Que de falta de apetite pela vida.
Mas que tu não te desesperes,
É fácil encontrarmos Luizas,
Que nem se chamam Luiza,
Com o "i" e o "z" trocados por aí...
Por que dor se apega a qualquer nome.

Egidio M.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Oração desnaturada

Deus,
Os braços da minha morena
São laços que me estrangulam.
(De ternura plena)
Os olhares que só ela sabe ter
São mares que me afogam.
(Os males)
A boca dela
Tem veneno e me elimina.
(As pestes)
Deus,
Estou sendo estrangulado,
Afogado, Envenenado...
Mas imploro-te,
Não tenha misericórdia de mim,
Não me ajude, não me salve...
Amém.

Egidio M.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Segurança e o povo acima de tudo.


Eu tinha acordado às seis da matina. Fui até a janela do quarto do hotel em que eu estava hospedado, onde tinha uma vista majestosa para a praia.
Cedo assim, já havia muitas pessoas e ainda chegavam mais, pouco a pouco a praia ficava lotada e a lotação se deslocava mais para frente do hotel, pois o comício de um candidato a prefeito acontecia bem próximo da entrada hospedaria. A rua ficou interditada pelo povo e pelas balelas do candidato.
Todos depositaram a atenção no político e se juntaram em um aglomerado de gente que ignorava o belo dia e a praia, mas eu não ignorava. Assistia em meu camarote com imenso deleite de um final de semana de descanso.
Um pouco distante do amontoado de pessoas, uma mulher se destacava. Estava sozinha, dava atenção ao lindo dia e não a um velho barbudo que prometia ser um bom representante do povo. Apesar da distância, deu para eu perceber que a cor de pele dela era trigueira, cabelos acima dos ombros, um andar bastante charmoso. Ela enfiou os pertences dela na areia, pôs a bolsa em cima e foi de encontro ao mar. Certamente não estava a par dos constantes roubos na região. Eu a apreciava e tomava café da manhã à beira da janela. Ela nadou com intrepidez e afoitamente a caminho do horizonte. Cansou rápido, parou e depositou a atenção na bolsa dela, que estava abandonada. Mas naquele instante, não apenas eu e ela estávamos atentos à bolsa, tinha uns moleques que não perderam a ocasião e levaram tudo que ela deixara lá. Como reação, ela tentou voltar o mais rápido possível para a praia. Notei que ela não saía do lugar, pude ver a cabeça dela inclinada na minha direção, estava me vendo, pedia ajuda. Logo, apenas os braços dela abanavam numa súplica por socorro, eu não sabia nadar e estava longe. Então, gritei para os que estavam lá embaixo:
–Tem uma mulher se afogando! – Apontando a direção.
Poucos perceberam minha gritaria, mesmo os que escutaram não me entenderam por causa do barulho. Acenaram com um sorriso no semblante e gritaram o nome do candidato. Tentei novamente e fizeram o mesmo.
Avistei os salva-vidas, mas estavam distantes demais pra que me escutassem gritando, eu não podia competir com a música de campanha às alturas e nem com a eloqüência do político que tomava toda a atenção. Saí em um ato desesperado para socorrer a mulher, a fim de contar com a ajuda dos guarda-vidas.
Assim que cheguei até eles, depois de nadar todo o mar de gente, pedi que me seguissem e fui contando o que estava acontecendo. Quando chegamos para salvá-la, nem sinal dela. Os salva-vidas procuraram-na e acharam-na morta. Enquanto colocavam o corpo dela na areia da praia, ouvia-se algo sobre segurança e o povo acima de tudo.

Egidio M.