segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cafeteria



Como sou viciado em café, marquei o ponto de encontro numa cafeteria. Cheguei lá no horário combinado, mas a garota que eu esperava, não tinha chegado. Inclusive, ela me ligara avisando que ia se atrasar.
Enquanto isso, fui tratar de alimentar o meu vício.
– Um café, por favor...
– Com cafeína?
– Sim, claro.
Estranho, nunca me perguntaram isso antes. Qual a graça de café descafeinado? Acho que eu não tenho cara desses maricas frescos que pedem este tipo de café.
Tinha pouca gente no estabelecimento. Não era horário de movimento, mas – por causa do clima frio – estava perfeito para tomar café.
Esperava o meu pedido chegar. Ao meu lado, dois idosos conversavam enquanto viam o noticiário.
– No nosso tempo, compadre, não tinha tanta violência quanto hoje em dia.
– É verdade, meu velho...
Numa das mesas, havia belas jovens. Eram as prostitutas da rua ao lado, que sempre corriam para a cafeteria quando a polícia passava, porque a maioria delas era menor de idade. E também tinha um rapaz machacaz, que usava óculos, estava com uma mochila nas costa e tomando, provavelmente, café sem cafeína e misturado com leite.
Finalmente chegou. Estava perfeita, fogosa. Provei do sabor inconfundível dela. Aquele dia frio se tornou ardentemente excitante depois que meus lábios sentiram o calor da minha morena. Aproveitei até o último momento com ela. Mas a garota que eu esperava não apareceu.

Egidio M.