quarta-feira, 11 de março de 2009

Segurança e o povo acima de tudo.


Eu tinha acordado às seis da matina. Fui até a janela do quarto do hotel em que eu estava hospedado, onde tinha uma vista majestosa para a praia.
Cedo assim, já havia muitas pessoas e ainda chegavam mais, pouco a pouco a praia ficava lotada e a lotação se deslocava mais para frente do hotel, pois o comício de um candidato a prefeito acontecia bem próximo da entrada hospedaria. A rua ficou interditada pelo povo e pelas balelas do candidato.
Todos depositaram a atenção no político e se juntaram em um aglomerado de gente que ignorava o belo dia e a praia, mas eu não ignorava. Assistia em meu camarote com imenso deleite de um final de semana de descanso.
Um pouco distante do amontoado de pessoas, uma mulher se destacava. Estava sozinha, dava atenção ao lindo dia e não a um velho barbudo que prometia ser um bom representante do povo. Apesar da distância, deu para eu perceber que a cor de pele dela era trigueira, cabelos acima dos ombros, um andar bastante charmoso. Ela enfiou os pertences dela na areia, pôs a bolsa em cima e foi de encontro ao mar. Certamente não estava a par dos constantes roubos na região. Eu a apreciava e tomava café da manhã à beira da janela. Ela nadou com intrepidez e afoitamente a caminho do horizonte. Cansou rápido, parou e depositou a atenção na bolsa dela, que estava abandonada. Mas naquele instante, não apenas eu e ela estávamos atentos à bolsa, tinha uns moleques que não perderam a ocasião e levaram tudo que ela deixara lá. Como reação, ela tentou voltar o mais rápido possível para a praia. Notei que ela não saía do lugar, pude ver a cabeça dela inclinada na minha direção, estava me vendo, pedia ajuda. Logo, apenas os braços dela abanavam numa súplica por socorro, eu não sabia nadar e estava longe. Então, gritei para os que estavam lá embaixo:
–Tem uma mulher se afogando! – Apontando a direção.
Poucos perceberam minha gritaria, mesmo os que escutaram não me entenderam por causa do barulho. Acenaram com um sorriso no semblante e gritaram o nome do candidato. Tentei novamente e fizeram o mesmo.
Avistei os salva-vidas, mas estavam distantes demais pra que me escutassem gritando, eu não podia competir com a música de campanha às alturas e nem com a eloqüência do político que tomava toda a atenção. Saí em um ato desesperado para socorrer a mulher, a fim de contar com a ajuda dos guarda-vidas.
Assim que cheguei até eles, depois de nadar todo o mar de gente, pedi que me seguissem e fui contando o que estava acontecendo. Quando chegamos para salvá-la, nem sinal dela. Os salva-vidas procuraram-na e acharam-na morta. Enquanto colocavam o corpo dela na areia da praia, ouvia-se algo sobre segurança e o povo acima de tudo.

Egidio M.

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